quarta-feira, 28 de novembro de 2007

CULTURA LIVRE


Segundo David Pogue, os softwares não são capazes de punir ninguém. “Eles não afetam pessoas que não estão on-line”, autor cético acredita que se a vida no ciberespaço está indo mal podemos sempre desconectar. Porém essa verdade não é compartilhada com o autor de “Cultura Livre”, que trata dos problemas que a internet provoca mesmo quando o modem está desligado.Para ele “ não há mais nenhuma chave que irá nos isolar dos efeitos provocados pela internet.”

O autor afirma que vivemos uma tradição de “cultura livre”, mas isso não representa liberada, e sem propriedade. Uma “cultura livre” apóia criadores e inovadores.

Pirataria: cópia de material sob copyright, sendo que a mais prejudicial é a que utiliza para fins lucrativos, comercial.

Pirataria na Internet:

A pirataria é errada o que não significa dizer que desculpas e justificativas não podem ser feitas quanto a isso. Posicionamento tido como extremista pelo autor é comparar um livro que se pega numa livraria e não pagamos e uma música on-line. O que é justificado pela lógica do compartilhamento. Se você pega um livro é um a menos, mas se compartilha com outro computador é um a mais para ser fonte e sem perda.

E são gerados outros exemplos como o da “estratégia do Vício” – Microsoft versus GNU – Linux. O autor acredita que mesmo que algumas formas de pirataria sejam erradas, não significa que todas o são, para ele existem forma úteis e produtivas, seja para construir conteúdo novo como para criarem novas formas de negócios.

O sistema P2P – de compartilhamento pela internet, programas como: KaZaA, LimeWire, eMule...).

Segundo o autor podemos classificar os participantes das redes de compartilhamento em 04 Tipos:

A - Substituição pela compra

B - Experimentar antes de comprar

C - Obter matérias sob copyright que não são mais vendidos, ou que não podem ser comprados ou que o custo de compra seria muito grande.

D - Obter arquivos que não estão sob copyright ou cujo dono disponibilizou gratuitamente.

A seguir o autor vai analisar esses tipos como legal, ou ilegal, e prejudicial e favorável ao mercado de acordo com princípios lógicos.

O autor chega a conclusão que assim como outras inovações tecnológicas ( Xérox, vídeo-cassete) no caso do compartilhamento P2P, o uso da tolerância Zero, significa o fim de tal tecnologia, relegada a completa ilegalidade.

O caso das patentes, pela propriedade intelectual, também são problematizadas, e o exemplo crítico é a Indústria Farmacêutica, ao que se refere ao Coquetel contra a AIDS e a alarmante contaminação na África. Questionamentos que envolvem desde o racional, até o econômico permeiam essa discussão, pois como imaginar que pessoas que poderiam viver por mais 10 ou 20 anos estão sendo deixadas a mingua por causa de uma patente?

Colecionadores:

O caso do Internet Archive ( Brewster Kahle)

- uso da “máquina do Retrocesso” - poder de ver o que vc. lembra, e o que vc. não lembra e o que os outros queriam que vc. não lembrasse.

- Television Archive

- Movie Archive

Resumo do Texto: Cibercultura como território recombinante- André Lemos

A Cibercultura, segundo André Lemos, é por assim dizer, um "território recombinante", pois permite ao campo da cultura, uma série de territórios informacionais por meio de novas tecnologias da comunicação: textos, imagens, som. Assim, exemplos como: orkut, you tube e redes P2p, mostram muito bem esse movimento de recombinação cultural em um território eletrônico no crescimento planetário. Sabe-se tambpem, que a cultura é forte e dinâmics, e nesse contexto a Cibercultura surge como uma grande novidade por proporcionar velocidade e o alcance global do movimento cultural. A Cibercultura permite o indivíduo produzir e publicar em tempo real, reconfigurando assim, a já conhecida Indústria Cultural. A título de hipótese, André Lemos aponta 3 leis presentes na base do processo cultural da cibercultura: a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a conseqüente reconfiguração sociocultural a partir de novas práticas produtivas e recombinatórias. No 1 princípio, a evolução tecnológica cria uma efervescência, um excesso de informação pela possibilidade de que cada um seja também produtor e emissor de conteúdo (exceção dos países de regime totalitários). As formas da arte eletrônica colaborativas mostram diversas ações coletivas, participativas e recombinatórias, onde pessoas e grupos cooperam entre si, pela via telemática ( Emita e Produza!). No 2 princípio, a conexão, o autor afirma que não basta apenas emitir sem conectar. É necessário emitir em rede, entrar em conexão com outros, circular, distribuir. Esse é memso um traço característico da cibercultura: o uso das redes e tecnologias de comunicação e informação para a criação de vínculos sociais, locais, comunitários e mesmo planetários. Assim, emitir e conectar produz o terceiro princípio: o da reconfiguração que já deponta grandes questões acerca dos mecanismos legais de recombinação (licenças abertas ou copyleft), fruto das mídias digitais, redes telemáticas e processos recombinatórios de conteúdo informacional.Um outro ponto fundamental apontado pelo texto é o da desterritorialização cultural como sendo fruto da globalização e alida às nivas mídias digitais: Redes Bluetooth, conexão Wi-Fi e etiquetas RFDI. Trata-se de uma vivência de processos desterritoralizantes ( criação de territórios) constituído na interseção entre o espaço físico e o eletrônico: Um executivo que viaja com seu laptop está em mobilidade mas, ao mesmo tempo controlado e territorializado pelo monitoramento informacional exercido pela estrutura empresarial. É a partir deste conceito de "territorialização" que alguns autores consideram o ciberespaço como sendo um espaço ilimitados e, constituído por redes informacionais. Dessa forma, o territorio digital cria uma zona dentro de outros territórios onde é possível acessae, produzir e distribuir informação, de maneira autônoma e estabelecendo redes colaborativas cada dia mais complexa. Contudo, o autor afirma que caberá ao homem participar ativamente da cibercultura e criar nos territórios recombinantes.

TV Brasil: uma emissora cada vez menos pública

João Brant - Observatório do Direito à Comunicação 27.11.2007
O anúncio da composição do Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunicação (organização que vai abrigar a nova TV pública) não trouxe surpresas. Infelizmente. Desde que o processo passou às mãos da Secretaria de Comunicação Social, do Ministro Franklin Martins, ficou claro que a composição do conselho, pretensamente representativo da sociedade, seria decidida unicamente pelo Executivo, a partir de critérios próprios. A TV pública nasce vítima do modelo que o governo criou. Em vez de optar por uma arquitetura pública de participação, preferiu manter o controle e ser responsável direto por todas as indicações. Feita essa opção, recaiu sobre ele o ônus de provar que não era autoritário e que não queria criar a “TV Lula”. Fez tanto esforço para isso que criou um conselho conservador e elitista. Assim, criou-se um aparente paradoxo: no afã de legitimar o projeto da TV pública com setores da direita, o governo abriu mão do caráter público e deu à emissora um perfil governamental. Mais: criou no conselho uma composição pensa, que traz uma penca de empresários e nenhum representante dos trabalhadores, seja da comunicação seja do campo geral. Também indicou apenas uma pessoa com atuação no debate das políticas públicas de comunicação (o advogado José Paulo Cavalcanti), que mesmo assim não vinha participando dos debates da TV pública. Aliás, essa foi a tônica das indicações: nenhum dos escolhidos participou do Fórum de TVs Públicas nem representa setores que vinham se manifestando no debate. Dirão as vozes governistas que esses setores são representativos apenas de um pequeno setor da sociedade. Mesmo se isso for verdade, esse setor (pequeno ou grande) não pareceu digno de representação, a se julgar pela ausência completa de nomes desse campo no conselho. Para piorar, a idéia (positiva) de que o conselho não deve ser composto somente por especialistas acabou sendo tão forte que nenhum representante acadêmico da comunicação foi indicado.Há de se notar ainda a preocupação com a questão da regionalidade e, minimamente, da diversidade étnico-racial e de gênero. No entanto, isso se deu sem diálogo com o próprio movimento negro, indígena ou feminista, o que mostra que definitivamente representatividade não foi um dos critérios nesse processo. Critérios são sempre questionáveis, dirão alguns. É justamente isso que se está fazendo aqui, questionando- os, embora neste caso – um debate sobre uma TV pretensamente pública, ressalte-se – os únicos critérios que valham sejam aqueles decididos pelo governo.Esse fato ilustra, a bem da verdade, um problema de origem desse conselho. A lógica de um órgão representativo da sociedade escolhido pelo governo, sem sequer um processo de indicação, é paternalista e anti-democrática. Assessores do ministro vêm utilizando o argumento de que “no Reino Unido é assim”. Não é. No caso da BBC, a composição do Trust ('conselho curador' de lá) parte de um processo de seleção pelo “comitê de indicações públicas”, órgão independente que faz esse papel para mais de 1000 órgãos com participação social. Esse comitê recebe indicações da sociedade, e faz uma lista de candidatos a serem entrevistados. A partir da fase de entrevistas, entra, como um dos avaliadores, um representante do governo inglês. Depois disso, as indicações são passadas ao Secretário de Estado, depois ao Primeiro-Ministro e, finalmente, à rainha (que não manda nada, como indica o próprio cargo, mas mostra que a decisão está acima do governo da vez).Além disso, embora haja, no final do processo, esse 'filtro' de governo, trata-se de um mecanismo democrático de um país que é parlamentarista há séculos, com uma forte tradição de debate público e de equilíbrio na composição desses espaços. Ainda assim, o BBC Trust já foi criado com dezenas de pesos e contrapesos, 'checks and balances', mecanismos de consulta, medidas para evitar o conflito de interesses dos conselheiros, comitês públicos que analisam a programação, isto é, vários mecanismos que estabelecem um forte compromisso dos trustees com o conjunto da sociedade. Por aqui, se depender da análise prévia, começamos mal. De toda forma, o governo não precisaria atravessar o Atlântico se quisesse encontrar modelos mais democráticos de representação. Há nas próprias estruturas do Estado brasileiro excelentes referências. Tanto o campo da Saúde quanto o da Habitação, por exemplo, têm modelos avançados de gestão, com conferências periódicas e conselhos representativos, eleitos pelos setores envolvidos por meio de mecanismos democráticos. Se não quisesse sair da própria área da comunicação, o governo poderia adotar o modelo do Comitê Gestor da Internet, que também tem sua composição determinada por voto direto dos setores interessados. Embora esses conselhos tenham atribuições diferentes do que aqui discutimos, todos eles encontraram formas democráticas de a sociedade escolher seus representantes. Mais que isso, nenhum desses conselhos sofre do corporativismo que o governo usa como justificativa para a não adoção desses modelos. Se não foi por falta de opção nem de aviso, o governo fez uma opção clara e consciente de modelo. Resta torcer para os críticos desta proposta estarmos errados. Não é o que indicam os prognósticos, mas para quem acredita na necessidade de uma TV verdadeiramente pública no Brasil, manter a esperança é questão de sobrevivência.* João Brant é coordenador do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
Fonte:http:/ /www.direitoacom unicacao. org.br/novo/ content.php? option=com_ content&task=view&id=2067
Boa prova pra todos!

Emissoras se preparam para TV digital; público tem dúvida

Imagem em alta definição, som surround, mobilidade, portabilidade, interatividade. As qualidades tão aclamadas da TV digital prometem revolucionar a televisão aberta brasileira. O modelo, que estréia no domingo, dia 2, em São Paulo, com pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve proporcionar mais impacto do que a troca do televisor preto-e-branco pelo colorido. O telespectador, no entanto, tem mais dúvidas que empolgação diante da novidade. Afinal, como vai funcionar a TV digital?

Basicamente, a diferença está na forma de transmissão da programação, que hoje é analógica e, com a mudança, passa a ser digital. Para desfrutar da tecnologia, bastará adquirir um televisor com o receptor embutido ou ligar um conversor chamado set-top box ao aparelho e à antena UHF que já estão em casa. Apesar de simples, a 'conversão' para o mundo da TV digital é cara: os televisores modernos custam, no mínimo, R$ 8 mil, e o conversor não sai por menos de R$ 500. Quem não quiser ou não puder colocar a mão no bolso continuará recebendo o sinal analógico nos próximos dez anos - prazo máximo para o fim da transmissão pelo modelo atual. "O telespectador com conversor ou com televisor digital recebe a imagem com qualidade máxima ou não recebe", afirma José Chaves, diretor de Engenharia da TV Cultura.
As vantagens, porém, chamam atenção. O novo sistema promete imagem nítida (ou seja, adeus a chuviscos e fantasmas) e som igual ao das salas de cinema. Também será possível assistir à programação por celular e outros aparelhos portáteis e interagir com o programa preferido - os dois últimos recursos, contudo, não entram em cena agora. Os televisores de plasma ou LCD que ganharem o set-top box ainda terão imagens em alta definição.
Emissoras
As principais emissoras do País (Globo, Record, SBT, Band e Cultura) investem pesado na novidade. As redes compraram equipamentos e treinaram funcionários para recepcionar e distribuir o sistema. Figurinistas, cenógrafos, maquiadores e demais profissionais que atuam nos bastidores tiveram de 'reaprender' a trabalhar. Afinal, será preciso tomar cuidado com os detalhes por conta da qualidade de captação e de transmissão que chegará às TVs digitais a partir do dia 2.
"A alta definição exige soluções específicas em setores técnicos, como vídeo, áudio, iluminação, fotografia, e também em outras áreas, como cenografia, maquiagem e figurino. Isso porque a maior resolução faz com que os detalhes fiquem seis vezes mais perceptíveis. Os maiores impactos dessa transição ocorrem na construção e nos acabamentos de cenários e na maquiagem", diz Raymundo Barros, diretor de Engenharia da Globo.
Alguns exemplos: Duas Caras, da Globo, e Dance, Dance, Dance, da Band, são produzidas em alta definição. A marca de um dedo no vidro do porta-retratos da mansão de Branca (Suzana Vieira), personagem de Duas Caras, poderá ser vista pelo telespectador. E uma possível acne no rosto de Sofia (Juliana Baroni) em Dance, Dance, Dance não poderá mais ser escondida com camadas de base sem que o público perceba que a pele está maquiada.
Apesar da força-tarefa das empresas, a TV digital e a alta definição devem estrear para poucos por causa dos preços salgados dos conversores e dos aparelhos modernos. No domingo, os canais inauguram o sinal digital e uma pequena parte da programação em alta definição. A Globo testa o benefício com um novo quadro do Fantástico. A Band mostra o Programa Raul Gil, futebol e um especial com o cantor italiano Andrea Bocelli. Record e SBT entram na onda com os filmes da Tela Máxima e do Oito e Meia no Cinema, respectivamente. Na segunda-feira, os longas e as novelas Duas Caras e Dance, Dance, Dance poderão ser assistidos em alta definição. As informações são do Jornal da Tarde

Resumo do Texto de Andre Lemos: Alguns pontos para compreender nossa epoca

Alguns pontos para compreender nossa época
(André Lemos)
Cibercultura é a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base mico-eletronica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70. Essa relação se estabelece pela emergência de novas formas sociais que surgiram a partir da sociabilidade pós-moderna e das novas tecnologias.
A cibercultura é o desdobramento da tecnologia com a modernidade. É a transformação do mundo em dados binários para futura manipulação. A convergência da informática com as telecomunicações vai dar origem ao que se vem chamando de sociedade da informação ou informacional. É a apropriação, não de forma irreversível, social-midiática da técnica.
Cada transformação midiática alterna nossa percepção espaço temporal. Na contemporaneidade vive-se uma sensação de tempo real, imediato, livres e de abolição do espaço física geográfico. Sociedade da informação é instantaneidade e ubiqüidade. O tempo real parece aniquilar o espaço de lugar. Qualquer indivíduo, a priori, pode emitir e receber informação em tempo real. Conexão generalizada. A rede é tudo e tudo está em rede. As tecnologias digitais aumentaram a mobilidade.
As práticas comunicacionais da cibercultura são inúmeras. Deve-se elencar entre elas, a utilização do email, os chatas, os muds, os role playng games, as lans house, weblogs, etc. Além das formas tradicionais de comunicação que são ampliadas, transformadas e reconfiguradas com o advento da cibercultura. A Net não é uma mídia no sentido em que entendemos a mídia de massa. Não há fluxo um (quando falo que estou lendo um livro ou vendo tv todos sabem o que faço, mas se digo que estou na Internet posso estar fazendo qualquer uma dessas coisas). A relação da Internet com os demais meios não significa transposição nem aniquilação. Liberação do pólo de emissão, comunicação bidirecional, sem controle de conteúdo.
Novas ferramentas de comunicação geram efetivamente novas formas de relacionamento social. O maior uso da Internet hoje é para buscas efetiva de conexão social(e-mail, listas, blogs, fóruns, webcams...).
Surgimento e consolidação de uma arte eletrônica aberta, rizomática e interativa. O corpo da cibercultura é um corpo ampliado, transformado e refuncionalizado a partir das possibilidades técnica de introdução de micro-máquinas que podem auxiliar as diversas funções do organismo (cyborg). Na cibercultura, entramos na fase de colonização interna do corpo com próteses e nano máquinas, correlata à explosão de transformações subjetivas através dos atuais piercings, tatoos, etc.
Formas de controle, vigilância, fim da privacidade, os problemas políticos trazidos pela cibercultura.
As cibercidades e a tentativa de reaquecer o espaço público, recuperar o interesse dos espaços concretos das cidades. Vivemos na cibercidade – as cidades de hoje já estão sob o signo do digital.
Leis da Cibercultura:
Lei da Reconfiguração: Não substituição ou aniquilamento. Existe a reconfiguração das práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes.
Liberação do pólo da emissão: O que está em jogo hoje com o excesso de informações é a emergência de vozes e discursos anteriormente reprimidos pelos mass media. A liberação do pólo da emissão está presente nas novas formas de relacionamento social, de disponibilização da informação e na opinião e movimentação social da rede. Chats, weblogs, listas, emails, comunidades virtuais devem ser compreendidas nessa lei.
Lei da Conectividade Generaliza: Começa com a transformação do PC em CC (Computador Conectado). A possibilidade se estar só sem estar isolado. Nessa era da conexão, o tempo reduz-se ao tempo real e o espaço transforma-se em não-espaço, mesmo que por isso a importância do espaço real, como vimos,e do tempo cronológico, que passa, tenham suas importâncias renovadas.

Espaçoso

Super na contramão dos computadores portáteis, um comerciante anunciou no site de comércio eletrônico eBay um “Compiano”: computador “embalado” num enorme instrumento musical, como mostra a imagem abaixo. “Você nunca viu algo parecido. Se você só escolhe o melhor, por que compraria um Dell?”, provoca o anúncio. O leilão, com oferta inicial de US$ 6,9 mil, encerra no dia 2 de dezembro. Se não quiser esperar até lá, pode optar pela alternativa “compre agora”: nesse caso, terá de desembolsar US$ 20 mil. A dica do produto é do blog Neatorama.

Universidade japonesa dá cursos pelo celular


A Cyber University, a única universidade japonesa que oferece todos os seus cursos pela internet, começou nesta quarta-feira a oferecer aulas também pelo celular.


As aulas, que fazem parte do curso sobre os mistérios das pirâmides, consistem basicamente em imagens de Power Point com textos e imagens, com a locução de um professor ao fundo, que pode ser ouvida pelos fones do aparelho.


No caso das aulas para computador, o sistema é mais completo: imagens e texto ficam no centro da tela, enquanto um vídeo com a palestra do professor aparece no canto.


A universidade, que foi inaugurada em abril deste ano e tem a permissão do governo de conceder diplomas de bacharel, tem 1.850 estudantes.


Atualmente, a universidade virtual oferece cerca de 100 cursos, como cultura chinesa antiga, jornalismo on-line e literatura inglesa.


Por enquanto, a versão para celulares terá apenas o curso sobre as pirâmides, mas deve ser expandida em breve.


De acordo com Sakuji Yoshimura, que dirige a Cyber University e ministra o curso sobre pirâmides, a universidade oferece oportunidade às pessoas que têm dificuldades de ir a uma universidade tradicional, incluindo os que trabalham, deficientes físicos e doentes.


"Nossa obrigação como educadores é corresponder às necessidades de quem quer aprender", disse o diretor.


O curso está disponível apenas nos aparelhos da fabricante de celular Softbank, que é dona de 71% da universidade virtual. Os alunos não precisam pagar uma mensalidade à faculdade, mas têm de arcar com os custos da operadora.

Universidades criam biblioteca on-line com 1,5 milhão de livros

Projeto iniciado em 2002 tem títulos em 20 línguas; português ainda está fora. Por causa dos direitos autorais, nem todos os livros estão 100% disponíveis.

Do G1, em São Paulo

O projeto Million Book acaba de completar a digitalização de 1,5 milhão de títulos, grande parte deles disponíveis gratuitamente on-line A iniciativa foi realizada pela Universidade Carnegie Mellon, dos EUA, pela Universidade Zhejiang, da China, pelo Instituto Indiano de Ciência e também pela Biblioteca de Alexandria, no Egito. Pelo fato da conclusão da primeira fase ter sido oficialmente divulgada nesta quarta-feira (28), a grande quantidade de acessos fez com que o site ficasse instável e lento. Além disso, por uma questão de direitos autorais, nem todos os livros estão 100% disponíveis -- muitos já foram digitalizados, mas ainda aguardam negociações para serem oferecidos gratuitamente. Enquanto isso não acontece, os internautas podem encontrar apenas o resumo dessas obras protegidas. Iniciado em 2002, o projeto tem uma grande variedade de títulos. “Qualquer usuário da internet tem acesso agora a uma coleção de livros equivalente à biblioteca de uma grande universidade”, afirmou Raj Reddy, professor de ciência da computação e robótica da Carnegie Mellon. “Esse projeto nos coloca mais próximos do ideal da biblioteca universal, tornando todos os trabalhos publicados disponíveis para todo mundo, o tempo todo, em qualquer língua”, continuou Reddy. “As barreiras econômicas para a distribuição de conhecimento estão caindo”, continuou o professor que liderou o projeto. Apesar de o Google, a Microsoft e o Internet Archive também estarem envolvidos em projetos de digitalização de livros, o projeto Million Book representa a maior iniciativa acadêmica para disponibilizar livros gratuitamente. Pelo menos metade dos títulos digitalizados pelo Million Book está livre de direitos autorais ou teve sua digitalização autorizada pelos detentores desses direitos. Nesses casos, o conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente.

Coleção
Na coleção de 1,5 milhão de livros há obras escritas em 20 línguas diferentes – no recurso de busca avançada, ainda não consta o português. Depois de digitalizados, os textos passaram por métodos de reconhecimento de caracteres, para viabilizar as buscas no site. O projeto recebeu US$ 3,5 milhões em investimentos da Fundação Nacional da Ciência, dos EUA, e o apoio de empresas de hardware e software. Esse dinheiro foi usado para a aquisição de equipamentos de digitalização e para o desenvolvimento de métodos para a catalogação da biblioteca on-line. Além disso, os EUA, China e a Índia contribuíram, cada um, com US$ 10 milhões para o projeto. Grande parte da digitalização foi realizada na China e na Índia – 1,1 milhão de livros e 360 mil, respectivamente. Atualmente, 7 mil livros são escaneados diariamente para o projeto, por cerca de mil pessoas espalhadas pelo mundo. Os responsáveis pelo projeto querem expandi-lo para todos os países e, eventualmente, para todas as línguas.

"O software livre é resultado de um sistema social ético"


Personalidade Responsável pelo movimento a favor do software livre e desenvolvimento do sistema operacional GNU/Linux, Richard Stallman esteve em Salvador semana passada para pregar que seu trabalho está no centro da luta pela liberdade de informação. Foto: J.T.S. Moore.

Não é fácil entrevistar Richard Stallman, um dos principais responsáveis pelos softwares livres e pelo GNU/Linux. Ele esteve em Salvador nessas últimas semanas para duas palestras, no Goethe Institut e no Hotel Fiesta. E, nas duas oportunidades, vai tratar de como a idéia software livre está no centro da luta pela liberdade de informação. "O continente que estamos construindo no mundo cibernético é o lugar da liberdade", diz. A dificuldade de entrevistá-lo não vem (apenas) do nervosismo de falar com alguém tão importante, mas do fato de ele interromper quase todas as perguntas para discordar do uso dessa ou daquela palavra, desse ou daquele conceito. Richard Stallman não é um programador comum ou um homem de negócios, como estamos acostumados a ver no mundo da informática, ele é antes de tudo um ativista político. E, como bom ativista, ele está diretamente interessado em qualquer interpretação que se possa fazer de seu trabalho. O lado bom do lado político de Stallman é a firmeza (talvez até demais) com a qual ele defende as suas posições. São argumentos que, ao menos, nos fazem refletir sobre questões do dia-a-dia.

A Tarde - Porque alguém deveria tirar o Windows do seu computador e instalar o GNU/Linux?
Richard Stallman - Existem razões secundárias, como o fato de o GNU/Linux ser muito mais confiável e eficiente, além de ser muito mais barato. Mas essa não é apenas uma questão técnica, é uma questão de liberdade. Ao usar o GNU/Linux ou qualquer outro software livre, você tem a liberdade de fazer com que o sistema faça aquilo que você precisa. Os softwares proprietários restringem e controlam o que se pode fazer em um computador, criando restrições de uso, de troca e negando o acesso ao código fonte. O que existe é a escolha entre dois sistemas sociais, um ético e outro maléfico.

AT - Gnu/Linux e Linux são a mesma coisa?
RS- Em 1985 eu tive a idéia de criar um sistema operacional livre, chamado GNU. Em 1991, nós havíamos desenvolvido quase todas as partes do sistema, mas faltava o kernel (um progra ma que opera o desempenho do hardware). Na mesma época, o kernel Linux tornou-se software livre. Então integramos o GNU ao Linux para conseguir um sistema operacional completo. Mas, injustamente, deram a essa combinação o nome de Linux, ainda que ela fosse muito mais GNU do que Linux. Então, por favor chame o sistema de Gnu/Linux e nos dê o crédito.

AT - Em sua visita a cuba você disse que o país é um lugar propício para o fomento do software livre. Mas o país é o único latino-americano presente na lista dos 13 "inimigos da internet", divulgada pela ONG Repórteres sem Fronteiras; O que você acha das restrinções à liberdade de informação em países como Cuba, China e Egito?
RS - Eu não disse isso, queria que você me desse o endereço do lugar que você viu isso para eu mandar uma carta reclamando. Eu disse que, em Cuba, não passa nem pela cabeça das pessoas pagarem por um software, porque não há venda de softwares por lá. Eles têm algumas liberdades, a de trocar com seus amigos, por exemplo, mas não têm outras, a de estudar o código. Cuba não respeita a liberdade e eu sou contra isso. Mas continuo trabalhando pelos software livres com países que não respeitam a liberdade, seja ele Cuba ou EUA.

AT - No Brasil é muito comum o uso de softwares piratas...
RS- Não acho que exista pirataria no Brasil nos dias de hoje, a pirataria era encontrada no Caribe, mais perto da América. E os piratas não usavam computadores, eles usavam metralhadoras. O ponto é que usar a palavra "pirataria" para falar de "troca de arquivos entre as pessoas" é fruto de um tipo de propaganda ideológica. Piratear é muito ruim e compartilhar com outras pessoas é algo bom, então não devíamos usar a palavra pirataria para falar disso.

AT - Certo, eu ia perguntar quais as vantagens entre usar um software pirata, que é de graça, e um software livre?
RS - Não gosto da palavra vantagem, porque ela parece dizer que as duas coisas são boas e uma é um pouco melhor. Troca ilegal não é ruim, mas é perigosa. Uma vantagem do software livre é que você pode compartilhar sem o perigo de ser preso. Quando um amigo seu pede uma cópia de um software proprietário, você tem duas escolhas: ou magoa seu amigo e não o dá a cópia ou fere a licença do software. O mal menor é desagradar a empresa, que não é sua amiga. Mas o único bem é ter apenas softwares livres, que além da liberdade de troca outras liberdades importantes.

AT - Qual o sistema operacional que e softwares você usa em seu computador?
RS - É contra os nossos princípios éticos usar aplicativos proprietários em nossos computadores. Por isso, não tenho sequer uma cópia do Windows. E, mesmo entre os softwares livre, muitos usam um ou outro software proprietário em seu pacote. Então, entre as muitas distribuições do Gnu/Linux, eu sá posso recomendar a Ututu e a gNewSense, 100% livres.

AT - Os laptops do programa Um Computador por Criança, adotado pelo governo federal, utilizam Gnu/Linux. O que você acha da utilização de softwares livres na escola?
RS - Eu diria que é uma ótima iniciativa se não fosse por um ou dois softwares proprietários instalados nesses computadores. As escolas, e, principalmente, as públicas, têm a responsabilidade de só ensinar software livre para os alunos, por vários motivos. Em nenhum lugar do mundo as escolas têm muito dinheiro e usar software livre é uma forma de economizar, mas não é só isso. As crianças têm uma curiosidade de saber como as coisas funcionam e só com os softwares livres os professores podem ajuda-los a ler o código e a programar. E também tem a questão moral: a escola não ensina só técnica, ensina ética e só o software livre é resultado de um sistema social ético.

AT - A luta pela liberdade já aconteceu em vários campos, religioso, econômico, etc. Você diria que a internet é a nova arena para essa luta e o software livre uma importante arma?
RS - Luta religiosa!?
AT - Não estou dizendo que sua luta é uma luta religiosa, quero saber se é o mesma luta
RS - Sim, sim. É o mesmo tipo de luta.

AT - Mas em nenhum desses campos a "liberdade" venceu completamente, os softwares livres vão ganhar a guerra contra a Microsoft e os softwares proprietários?
RS - O futuro do software livre depende de você. Todos contribuem para o futuro. A pergunta correta é "o que aconteceria no futuro se fizermos isso ou aquilo".

Naquela noite, Stallman falou no Goethe Institut para uma legião de fãs, estudantes de informática e curiosos, uma manada de GNUs. Para quem esperava ouvi-lo falar sobre aspectos técnicos do Gnu/Linux, só decepção. Stallman é, antes de tudo, um ativista da liberdade de informação. Software livre não é uma questão técnica, de ser melhor que o software proprietário. É uma questão de liberdade. O público ia ao delírio. Em mais ou menos uma hora e meia de fala, Stallman expôs suas idéias sobre o software livre, deu conselhos e denunciou a conduta "maligna" das grandes empresas. Ele tratou de assuntos pouco tecnológicos, como escolha ética e tentação de usar softwares não-livres. Não falou nada que quem estava lá não soubesse, mas o que importava era ver um ídolo em pessoa, como numa igreja. No final, ele vestiu capa preta e aréola feitas com um disco de CPU e virou Santo IGNUcius. O público, claro, foi ao delírio outra vez. Depois da palestra, perguntei para ele:

Quando o Santo IGNUcius se manifestou pela primeira vez?
RS - Eu inventei o Santo IGNUcius numa festa de dia das bruxas. Aí um dia eu ia falar num colégio católico e tive a idéia de usar a fantasia. Ia entrar fantasiado, mas tive medo da reação. Então coloquei a fantasia no final e o pessoal adorou. O Santo IGNUcius faz mais sucesso em países católicos, como o Brasil. Mas não é muito bom que saia a foto do Santo IGNUcius no jornal, quem estava na palestra sabe que é só uma brincadeira, depois de 1h30 de fala. A encenação é uma piada, mas os softwares livres não.

do blogdodez.atarde.com.br